AULA SOBRE SONETO
Colaboração do amigo e poeta
MICHEL BARUKI

Champagne

Relogio e Data com boas vindas

CONTINUAÇÃO



COMBINAÇÕES DE RIMAS
Nas estrofes, as disposições mais freqüentes de rimas são as seguintes:
a) emparelhadas ou paralelas
b) alternadas, cruzadas ou entrelaçadas
c) opostas, interpoladas ou intercaladas
d) encadeadas
e) coroadas

RIMAS EMPARELHADAS OU PARALELAS
"Ele deixava atrás tanta recordação!.......................................A
E o pensar, a saudade até no próprio cão,.............................A
Debaixo de seus pés, parece que gemia,................................B
Levanta-se o sol, vinha rompendo o dia,.................................B
E o bosque, a selva, o campo, a pradaria em flor..................C
Vestiam-se de luz com um peito de amor"..............................C
(A de Oliveira)

RIMAS ALTERNADAS, CRUZADAS OU ENTRELAÇADAS:
AB AB AB AB
Quando de um lado, rimam os versos ímpares(o 1º com o 3º, etc); de outro, os versos pares (o 2º com o 4º, etc)
"Tu és beijo materno!.............................................A
Tu és um riso infantil..............................................B
Sol entre as nuvens de inverno,..........................A
rosa entre as flores de abril...................................B

RIMAS OPOSTAS OU INTERPOLADAS OU INTERCALADAS: ABBA ABBA
Quando o 1º verso rima com o 4º, e o 2º com o 3º
"Saudade! Olhar de minha mãe rezando ...........................A
E o prato lento deslizando em fio.........................................B
Saudade! Amor de minha terra... o rio .................................B
Cantigas de águas claras soluçando" ................................A
(Da Costa e Silva)

RIMAS ENCADEADAS
Quando rima a final de um verso com o interior de verso seguinte, conforme o esquema abaixo:
...............................A
...............A.............C
...............................B
...............B.............C
Exemplo:
"Quando alta noite n'amplidão flutua
Pálida a lua com fatal palor,
Não sabes, virgem, que eu te suspiro
E que deliro a suspirar de amor."
(Castro Alves)

RIMAS COROADAS
Quando rimam palavras dentro de um mesmo verso, conforme o esquema abaixo:
A-A..................................................B-B
C-C..................................................D
E-E..................................................F-F
G-G..................................................D
Exemplo:
"Donzela bela, que me inspira lira
Um canto santo de fervente amor
Ao bardo cardo de tremenda senda
Estanca, arranca - lhe a terrível dor"
(Castro Alves)

RIMAS ALITERANTES
Sucessão de fonemas consonantais idênticos ou semelhantes no início das palavras de um ou mais versos.
"Vozes, veladas, veludosas, vozes
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas."
(Cruz e Souza)

RIMAS MISTURADAS
São as rimas que não obedecem a esquema determinado.
"É meia-noite ...e rugindo
Passa triste a ventania.
Com um verbo da desgraça
Como um grito de agonia"

ALGUNS EXEMPLOS DE SONETOS

Destacando a acentuação tônica

PROCURANDO RIMAS E INSPIRAÇÃO (soneto octassilábico com rimas ricas e preciosas)
Procurei rimas preciosas,
elas são raras, são estrelas,
são de um jardim as belas rosas
mas não achei, não pude las.

Busco também capacidade,
pra poetar com muito lo,
a inspiração um dia -de
fazer-me vate, eu hei de -lo.

Para mim mesmo esse queixume,
pois quase sempre me descambo,
pra rimas pobres de raiz.

Vou me cuidar pra que eu não rume,
pelos caminhos como um bambo,
vou colocar pingos nos "is".

Michel - Blumenau - 18.12.2003

Este é o mesmo soneto, porém é decassilábico com frases heróicas.

Eu procurei por rimas preciosas,
porém elas são raras, são estrelas,
no meio de um jardim são belas rosas,
no entanto não achei, não pude las.

Adoraria ter capacidade,
pra poder poetar com muito lo,
e eu sei que a inspiração um dia -de
fazer de mim poeta, eu hei de -lo.

Faço para meu íntimo o queixume,
porque sem perceber eu me descambo,
e aplico as rimas pobres de raiz.

Agora vou me cuidar pra que eu não rume,
pelos caminhos trôpegos de um bambo,
pois tento colocar pingos nos "is".

Michel - Blumenau - 01.01.2004


PORTAL DA DOR (soneto eneassilábico com acentuação na 3ª, 6ª e 9ª sílaba)

Eu não sei o que tanto procuras,
ja te dei a pureza de um rio,
e da terra as raízes mais puras,
com um ar carregado de cio.

Encampei toda a tua amargura,
das tristezas eu fiz replantio,
mas teu ego que é cego não viu.

Vai e segue teu seco caminho,
leva junto essas noites e dias,
que reguei com paixão e carinho.

Sei que por compaixão casarias,
mas prefiro uma taça de vinho,
a caneta e o papel, poesias.

Michel - Blumenau - 15.02.2004


A VOZ DA MOCIDADE. (soneto decassílabo com frases heróicas)

Entrei pelo passado já disperso,
pensando em aventuras que eu vivi
em quando na vopia dos meus versos,
com flores virginais eu me envolvia.

Perdi-me dentre poços que submersos
continham umas rubras pedrarias,
os pomos sensuais eram aspersos,
por seivas de profundas cercanias.

No epicentro dos ângulos obtusos,
as pétalas das flores bailarinas,
excitavam-me a carne já sem fuso.

E nesses interscios das resinas,
eu ficava horas úmido e recluso,
descobrindo os segredos das meninas.

Michel - Blumenau - 06.02.2004


ONDAS DO ESTRO. (Decassilábico com frases sáficas e rimas coroadas, este tipo de soneto em função principalmente das rimas é difícil de escrever)

Cada dourada frase bela é dela,
escrevo e devo a inspiração sonora,
e encanto e canto que sentiste e viste,
nasceu no breu da madrugada afora.

Contigo amigo já reparto o quarto,
no embalo falo da mulher amada
de peito afeito a esse amor em flor,
que avança e trança minha vida à fada.

Canção no vão daquelas ternas pernas,
eu canto enquanto minha mente ardente,
revira a lira na maior viagem.

Assim sem fim vou escrevendo, tendo
tom de batom como maestro, e estro
em luas nuas com a amada imagem.

Michel - Blumenau - 12.02.2004


NUNCA É TARDE PARA APRENDER. (soneto alexandrino)
Perdão, fui sem dizer, eu fugi meu amor,
envolve até meu ar o olor da maldição,
a sina faz sofrer na eterna solidão,
por onde eu passo é só mágoas, eu trago dor.

Condenado a viver cerrado em dissabor,
não uso o verbo amar, serenata e emoção,
nem mesmo o versejar me traz essa ilusão,
então me resta olhar de longe o teu valor.

Eu preciso aprender, e fazer serenatas,
para o meu tropel, deixar a minha guerra,
pedir ajuda a Deus, preciso mais que pratas.

Não resta nada mais, corri por toda a terra,
eu pratiquei boa ação, construí colunatas,
mas eu nem sei quem sou, só sei que sou quem erra.

Michel - Blumenau - 29.09.2003