AULA SOBRE SONETO
Colaboração do amigo e poeta
MICHEL BARUKI

Campanitas de cristal

Relogio e Data com boas vindas

CONTINUAÇÃO



ALGUMAS REGRAS PARA SEPARAÇÃO DAS SÍLABAS MÉTRICAS

1) Conta-se apenas até a última sílaba tônica:
Que cantem ao ver a Auro/ra
Teu pensamento é como o sol que mor/re

2)Sempre que duas vogais de palavras diferentes se encontram no verso, três coisas podem acontecer:
a) Ambas são átonas, nesse caso, ficam na mesma sílaba.
b) Ambas são tônicas, nesse caso, ficam em sílabas diferentes.
c) Uma é átona e outra é tônica, nesse caso, podem ficar na mesma sílaba ou não, de acordo com as circunstâncias.



ALGUMAS REGRAS QUE PODEM SER UTILIZADAS NA METRIFICAÇÃO.

1 - SINÉRESE OU DITONGAÇÃO: (Pode-se usar, mas também pode quebrar o ritmo)

É a junção de vogais contínuas numa só sílaba em virtude de uma das vogais passar a semivogal, ou, fusão de duas vogais que pertencem a sílabas gramaticais diferentes, dentro de uma palavra.
Exemplo:
"O/lei/to/do in/fe/liz/que/mão/trai/do/ra"
SINÉRESE

2 - DIÉRESE (Também se pode usar, e igualmente pode quebrar o ritmo)
É a dissolução de um ditongo em hiato, ou é a transformação de um ditongo em hiato, para aumentar o número de sílabas de uma palavra e, conseqüentemente de um verso.
Exemplo:
"Mas/dor/que/tem/pra/zer/a/Sa-/u/da/de"
DIÉRESE
(Garrett) (p)

3 - ELISÃO (Normalmente não quebra o ritmo) Quando a última sílaba de uma palavra termina em vogal e a palavra seguinte começa por vogal, precedida ou não de "h", sendo ambas as vogais átonas, dá-se junção delas numa sílaba só.
Exemplo:
"Nun/ca/vi/ra em/ minha/vi/da a for/mo/su/ra."
elisão            (Gregório de M. Guerra)
"A/ma um can/to o/pes/ca/dor."
ELISÃO

NOTA:
Quando uma das vogais é forte, tônica, geralmente, não se dá a elisão.
Exemplo:
"/és/a a /ra/gem/per/di/da
Não houve elisão: "es" é tônico.
"Eu/a/mo a noi/te/so/li/tá/ria e/ mu/da"

4 - CRASE (normalmente não quebra o ritmo)
É a fusão de dois ou mais sons iguais num só.
Exemplo:
"Teu/pen/sa/men/to é/co/mo o/ sol/que/mor/re."
CRASE
"Du/ran/te a/ noi/te quan/do o or/ va/lho/des/ce"
CRASE
"Es/con/di/da a/me/ni/da/de"
CRASE
"Que/can/tem/ao/ver/a Au/ro/ra".
CRASE

5 - ECTLIPSE (ação de esmagar)
É a elisão de um fonema consonantal nasal , assinalada, às vezes, pelo apóstrofo.
É a elisão do "m" final de uma palavra antes de vogal- co’a em vez de com a.
Exemplo:
"Vinde ó sonhos voadores.
De Morfeu co’as tenras flores
"Co’as tranças presas de fita"
"Co’as flores no samburá"
ECTLIPSE



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE RIMAS

ESTROFAÇÃO
Estrofe é um agrupamento rítmico formado de dois ou mais versos, que, em geral, se combinam pela rima.

RIMAS QUANTO AO VOCÁBULO:
Pode ser: rica, pobre, rara ou preciosa.

Quanto ao vocábulo empregado, as rimas podem ser classificadas ainda como:
pobre: entre palavras da mesma categoria gramatical : amor/flor, amoroso/doloroso, calar/falar.
rica: entre palavras de categorias gramaticais diferentes:  arde/covarde, penas/apenas, fino/menino.
preciosa ou rara: terminações não comuns: vê-la/estrela, sê-lo/pêlo, há-de/saudade; cisne/tisne, estirpe/extirpe.

RIMAS RICAS:
Quando as palavras que rimam pertencem à classes gramaticais diferentes:
O teu olhar, Senhora, é a estrela da ALVA
Que entre alfombras de nuvens irraDIA
Salmo de amor, canto de alívio, e SALVA
De palmas a saudar a luz do DIA
   (Alphonsus de Guimarães)

RIMAS RARAS OU PRECIOSAS:
As rimas excepcionais, difíceis de encontrar ou com vocábulos pouco usados.
E, a rir, levamos entre ditirambos,
Eu, no açafate, as provisões do lanche,
Ela, um beijo a trinar nos lábios flambos!
   (Helenos, de B. Lopes)
"Penso que, no negror da meia em que surgis
Deveis ser, pela alvura ebúrnea e macilenta,
Dois lírios cor de neve em dois vasos de ônix
   (A Feijó)

RIMA POBRE
Quando se verifica entre os vocábulos pertencentes à mesma classe gramatical.
"Que noite fria! Na deserta rua.
Tremem de medo os lampiões sombrios
Densa garoa faz fumar a lua
Ladram de tédio vinte cães vadios."
   (Castro Alves)
"Não, Pepita, não ta dou...                                     ........................................A
Fiz mal en dar-te em flor,                                    ........................................B
que eu sei o que me custou                                   ........................................A
Tratá-la com tanto amor.                                    ........................................B
    (Garrett)

RIMA QUANTO À ACENTUAÇÃO:

AGUDA OU MASCULINA:
Quando as palavras que rimam são oxítonas ou monossílabas tônicas
"Agora que a noite estende
Alvo lençol de luar
E a bafagem que recende
Nos jardins perfuma o ar."
   (Raimundo Correia)
"Vinhos dum vinhedo, frutos dum pomar
Que no céu os anjos regam com luar."
   (Guerra Junqueira)

GRAVE OU FEMININA:
Quando as palavras que rimam são paroxítonas.
"Calçou as sandálias, tocou-se de flores.
Vestiu-se de Nossa Senhora das Dores."
   (Antônio Nobre)
"A ardência em vão te aplaca ao lábio lindo.
Esse angélico sopro e hábil ameno:
Vento outonal de longes campos vindo
cheios de fresco, de oloroso feno..."
   (Raimundo Correia)

EXDRÚXULA, DATÍLICA OU PROPAROXITONA:
Quando as palavras rimadas são proparoxítonas.
No ar lento fumam gomas aromáticas
Brilham as navetas, brilham as dalmáticas."
   (Eugênio de Castro)
"Sobre as ondas argênteas do Adriático
Passa à noite o gondoleiro, e canta
E dobra a fonte, lânguido, cismático."
   (Raimundo Correia)

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