CONTINUAÇÃO
ALGUMAS REGRAS PARA SEPARAÇÃO DAS SÍLABAS MÉTRICAS
1) Conta-se apenas até a última sílaba tônica:
2)Sempre que duas vogais de palavras diferentes se encontram no verso, três coisas podem acontecer:
ALGUMAS REGRAS QUE PODEM SER UTILIZADAS NA METRIFICAÇÃO.
1 - SINÉRESE OU DITONGAÇÃO: (Pode-se usar, mas também pode quebrar o
ritmo)
É a junção de vogais contínuas numa só sílaba em virtude de uma das vogais passar a semivogal, ou, fusão de duas vogais que
pertencem a sílabas gramaticais diferentes, dentro de uma
palavra.
2 - DIÉRESE (Também se pode usar, e igualmente pode quebrar o
ritmo)
3 - ELISÃO (Normalmente não quebra o ritmo)
Quando a última sílaba de uma palavra termina em vogal e a palavra seguinte começa por vogal, precedida ou não de "h", sendo ambas as vogais átonas, dá-se junção delas numa sílaba só.
NOTA:
4 - CRASE (normalmente não quebra o ritmo)
5 - ECTLIPSE (ação de esmagar)
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE RIMAS
ESTROFAÇÃO
RIMAS QUANTO AO VOCÁBULO:
Quanto ao vocábulo empregado, as rimas podem ser classificadas ainda como:
RIMAS RICAS:
RIMAS RARAS OU PRECIOSAS:
RIMA POBRE
RIMA QUANTO À ACENTUAÇÃO:
AGUDA OU MASCULINA:
GRAVE OU FEMININA:
EXDRÚXULA, DATÍLICA OU PROPAROXITONA:
Continua na próxima página.
Que cantem ao ver a Auro/ra
Teu pensamento é como o sol que mor/re
a) Ambas são átonas, nesse caso, ficam na mesma sílaba.
b) Ambas são tônicas, nesse caso, ficam em sílabas diferentes.
c) Uma é átona e outra é tônica, nesse caso, podem ficar na mesma sílaba ou não, de acordo com as circunstâncias.
Exemplo:
"O/lei/to/do in/fe/liz/que/mão/trai/do/ra"
SINÉRESE
É a dissolução de um ditongo em hiato, ou é a transformação de um ditongo em hiato, para aumentar o número de sílabas de uma palavra e, conseqüentemente de um verso.
Exemplo:
"Mas/dor/que/tem/pra/zer/a/Sa-/u/da/de"
DIÉRESE
(Garrett)
(p)
Exemplo:
"Nun/ca/vi/ra em/
minha/vi/da a for/mo/su/ra."
elisão (Gregório
de M. Guerra)
"A/ma um can/to o/pes/ca/dor."
ELISÃO
Quando uma das vogais é forte, tônica, geralmente, não se dá a
elisão.
Exemplo:
"Tú/és/a a
/ra/gem/per/di/da
Não houve elisão: "es" é tônico.
"Eu/a/mo
a noi/te/so/li/tá/ria e/ mu/da"
É a fusão
de dois ou mais sons iguais num só.
Exemplo:
"Teu/pen/sa/men/to é/co/mo o/ sol/que/mor/re."
CRASE
"Du/ran/te a/ noi/te quan/do o
or/ va/lho/des/ce"
CRASE
"Es/con/di/da
a/me/ni/da/de"
CRASE
"Que/can/tem/ao/ver/a
Au/ro/ra".
CRASE
É a elisão de um fonema consonantal nasal
, assinalada, às vezes, pelo apóstrofo.
É a elisão do "m" final de uma palavra antes de vogal- co’a em vez de com a.
Exemplo:
"Vinde ó sonhos voadores.
De Morfeu co’as tenras
flores
"Co’as tranças presas de fita"
"Co’as flores no
samburá"
ECTLIPSE
Estrofe é um agrupamento rítmico formado de dois ou mais versos, que, em geral, se combinam pela rima.
Pode ser: rica, pobre, rara ou preciosa.
pobre: entre palavras da mesma categoria gramatical
: amor/flor, amoroso/doloroso, calar/falar.
rica: entre palavras de categorias gramaticais
diferentes: arde/covarde, penas/apenas, fino/menino.
preciosa ou rara: terminações não comuns: vê-la/estrela, sê-lo/pêlo, há-de/saudade; cisne/tisne, estirpe/extirpe.
Quando as palavras que rimam pertencem à classes gramaticais
diferentes:
O teu olhar, Senhora, é a estrela da ALVA
Que entre alfombras de nuvens irraDIA
Salmo de amor, canto de alívio, e SALVA
De palmas a saudar a luz do DIA
(Alphonsus
de Guimarães)
As rimas excepcionais, difíceis de encontrar ou com vocábulos pouco
usados.
E, a rir, levamos entre ditirambos,
Eu, no açafate, as provisões do lanche,
Ela, um beijo a trinar nos lábios flambos!
(Helenos, de B. Lopes)
"Penso que, no negror da meia em que surgis
Deveis ser, pela alvura ebúrnea e macilenta,
Dois lírios cor de neve em dois vasos de ônix
(A Feijó)
Quando se verifica entre os vocábulos pertencentes à mesma classe gramatical.
"Que noite fria! Na deserta rua.
Tremem de medo os lampiões sombrios
Densa garoa faz fumar a lua
Ladram de tédio vinte cães vadios."
(Castro Alves)
"Não, Pepita, não ta dou...
........................................A
Fiz mal en dar-te em flor, ........................................B
que eu sei o que me custou ........................................A
Tratá-la com tanto amor. ........................................B
(Garrett)
Quando as palavras que rimam são oxítonas ou monossílabas
tônicas
"Agora que a noite estende
Alvo lençol de luar
E a bafagem que recende
Nos jardins perfuma o ar."
(Raimundo Correia)
"Vinhos dum vinhedo, frutos dum pomar
Que no céu os anjos regam com luar."
(Guerra Junqueira)
Quando as palavras que rimam são paroxítonas.
"Calçou as sandálias, tocou-se de flores.
Vestiu-se de Nossa Senhora das Dores."
(Antônio Nobre)
"A ardência em vão te aplaca ao lábio lindo.
Esse angélico sopro e hábil ameno:
Vento outonal de longes campos vindo
cheios de fresco, de oloroso feno..."
(Raimundo Correia)
Quando as palavras rimadas são proparoxítonas.
No ar lento fumam gomas aromáticas
Brilham as navetas, brilham as dalmáticas."
(Eugênio de Castro)
"Sobre as ondas argênteas do Adriático
Passa à noite o gondoleiro, e canta
E dobra a fonte, lânguido, cismático."
(Raimundo Correia)