AULA SOBRE SONETO
Colaboração do amigo e poeta
MICHEL BARUKI

Cavatina

Relogio e Data com boas vindas

INTRODUÇÃO

                       É com muito prazer e com muita honra que passarei os meus humildes conhecimentos sobre sonetos, logicamente muitos dados e registros que aqui faço são oriundos de pesquisas, de estudos sobre esta forma literária de poema que é uma verdadeira arte, entre as fontes que utilizei estão: www.sonetos.com.br e www.gramaticaportuguesa.com.br.    Estou me baseando também em alguns comentários e críticas que recebi em alguns sites que participo, graças a essas criticas consegui crescer na arte de "sonetar", entre as pessoas que sempre fizeram críticas justas e que me ajudaram enormemente, destaco o poeta e sonetista Paulo Camelo.



UM RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DOS SONETOS

                       Os sonetos são oriundos da Sicília, o seu nome vem do italiano "Sonetto" e significa "pequena canção" ou "pequeno som". Foi criado no começo do século XIII onde era cantado na corte de Frederico II da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. Alguns atribuem a Jacopo Notaro, um poeta siciliano da corte de Frederico, a invenção do soneto, surgiu como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes. Desde então através dos anos e dos séculos, o soneto vem sofrendo poucas alterações. Anos se passaram até que dois ícones da literatura mundial, um inglês e um português deram ao soneto, cada um ao seu modo, o toque de mestre: William Shakespeare e Luis de Camões. A forma inglesa utilizada por Shakespeare é escrita com três quartetos e um dístico, porém a forma mais difundida e utilizada no mundo todo é a forma italiana que foi utilizada por Camões e até hoje é escrito com dois quartetos e dois tercetos.
                       O soneto adquiriu importância ao redor do mundo, tornando-se a melhor representação da poesia lírica. Alguns casos são notáveis: o poeta russo Aleksandr Pushkin que compôs Eugene Onegin, um poema repleto de sonetos adotado por Tchaikovsky para compor uma de suas óperas; o francês Charles Baudelaire ajudou a divulgar os versos alexandrinos em Les Fleurs du Mal, e Vivaldi também usou bastante a poesia dos sonetos...
                       Após uma adesão e tendência mundial ao humanismo, e ao estilo barroco, o poema dos catorze versos acabou sendo desprezado pelos iluministas.No século XIX, ele voltou a ser cultivado, com mais fervor, por românticos, parnasianos e simbolistas, sobreviveu ao verso livre do modernismo que viria em seguida, e permanece até os dias atuais.



COMO ESCREVER UM SONETO

                       Tenho uma opinião muito pessoal a respeito de sonetos, acho que soneto é aquele tradicional que por séculos vem sendo escrito com todas as suas regras, e acho também que essas devem ser seguidas quanto a métrica, rimas e principalmente ritmo. Penso que se não for dessa maneira descaracteriza o soneto, e então deve ser chamado de poema com 14 versos ou outro nome qualquer. Tenho estudado muito esta forma literária de poesia, inventar ou inovar é válido, porém quando se mistura vinho com água e se acrescenta açúcar, essa nova mistura é chamada de suco, e não mais de vinho e nem de água.
                       Um soneto além de "poesia" deve ter métrica e principalmente ritmo. A métrica utilizada é a poética, e não a métrica gramatical pura e simples, e o que dá um ritmo constante aos versos é a sílaba tônica,dar ritmo significa "fazer cair" em todas as frases de um soneto,do princípio ao fim a sílaba tônica sempre em um determinado local (no mesmo local em cada frase). Além da métrica e ritmo acho muito importante a rima, há quem diga que as rimas são até dispensáveis, eu, porém considero-as importantíssimas para a musicalidade de um soneto, e minha opinião é que sem ela o soneto perde muito do seu brilho.



SONETOS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS

Os sonetos classificam-se de acordo com o número de sílabas conforme abaixo:


Uma sílaba       

Monossílabo

Duas sílabas

Dissílabo

Três sílabas

Trissílabo

Quatro sílabas

Tetrassílabo

Cinco sílabas

Pentassílabo ou redondilha menor, (com acento na 2ª e 5ª sílaba)

Seis sílabas

Hexassílabos (com acentos na 2ª e 6ª sílabas)

Sete sílabas

Heptassílabos ou redondilha maior (com acentos na 3ª e 5ª)

Oito sílabas

Octossílabos ou sáficos (com acentos na 4ª e 8ª)

Nove sílabas

Eneassílabos ou jâmbicos (com acentos na 3ª, 6ª e 9ª)

Dez sílabas

Decassílabos (acentuação, ver nota abaixo)

Onze sílabas

Hendecassílabos ou datílicos (com acentos na 2ª, 5ª, 8ª e 11ª)

Doze sílabas

Dodecassílabos (com acentos na 6ª e 12ª - ver nota abaixo)

Mais de doze

Bárbaros (ver nota abaixo)


Notas: 1) As acentuações tônicas colocadas acima são as mais usadas.
             2) Em versos até quatro sílabas não é necessário nem obrigatório se usar a acentuação                   tônica definida no mesmo local em todas as frases.
             3) Em versos com 5 a 7 sílabas também não é obrigatório o uso do ritmo definido em todas as                   frases, porém fica mais rítmico quando se usa.
            4) Os decassílabos são os mais usados, e existe entre eles diversas variações de ritmo,                   abaixo os mais utilizados:


Versos heróicos

Acentuação tônica na 6ª e 10ª sílaba

Versos sáficos

Acentuação tônica na 4ª , 8ª e 10ª sílaba

Martelo agalopado

Acentuação tônica na 3ª , 6ª e 10ª sílaba (variação do heróico)

Gaita galega

Acentuação tônica na 4ª , 7ª e 10ª sílaba (variação do sáfico)

Pantâmero iâmbico

Acentuação tônica na 2ª , 4ª, 6ª , 8ª e 10ª sílaba


 

             5) Os versos podem ser dodecassílabos sem no entanto se tornarem versos alexandrinos, o                 que diferencia um soneto com versos alexandrinos dos versos dodecassílabos, é que o                 alexandrino é composto de dois versos de 6 sílabas em cada frase, com a primeira frase                 aguda ou grave sempre. Cada um desses hexassílabos se chama hemistíquio (metade de                  verso).
             6) Na metrificação sempre se conta até a última sílaba tônica de cada frase.
             7) Num mesmo soneto decassílabo podem ser utilizadas frases heróicas e sáficas sem que o                  rítmo seja prejudicado, mas é uma questão de esmero tentar manter o estilo das frases do                  princípio ao fim.
             8) O ritmo também é influenciado pela pronúncia das átonas e das paroxítonas finais de cada                  frase, elas não são contadas como métrica, mas existem no ritmo. Isso dá uma diferença                  quando se costuma usar a mistura de classificações.
             9) O ritmo em um poema, e muito mais no soneto é mais importante que a métrica. Não é                  aconselhável, mas, se não houver outro jeito, às vezes deve-se sacrificar a métrica em                   benefício do ritmo.
             10) Existem algumas regras que podem ser utilizadas (próxima página).