INTRODUÇÃO
É com muito prazer e com muita honra que passarei os meus humildes
conhecimentos sobre sonetos, logicamente muitos dados e registros que aqui faço são oriundos de pesquisas, de estudos sobre esta forma literária de poema que é uma verdadeira arte, entre as fontes que utilizei estão:
UM RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DOS SONETOS
Os sonetos são oriundos da Sicília, o seu nome vem do italiano "Sonetto" e significa "pequena canção" ou "pequeno som". Foi
criado no começo do século XIII onde era cantado na corte de Frederico II da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. Alguns atribuem a Jacopo Notaro, um poeta siciliano da corte de Frederico, a invenção do soneto, surgiu como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes. Desde então através dos anos e dos séculos, o soneto vem sofrendo poucas alterações. Anos se passaram até que dois ícones da literatura mundial, um inglês e um português deram ao soneto, cada um
ao seu modo, o toque de mestre: William Shakespeare e Luis de Camões. A forma inglesa utilizada por Shakespeare é escrita com três quartetos e um dístico, porém a forma mais difundida e utilizada no mundo todo é a forma italiana que foi utilizada por Camões e até hoje é escrito com dois quartetos e dois tercetos.
COMO ESCREVER UM SONETO
Tenho uma opinião muito pessoal a respeito de sonetos, acho que soneto é aquele tradicional que por séculos vem sendo escrito com todas as suas regras, e acho também que essas devem ser seguidas quanto a métrica, rimas e principalmente ritmo. Penso que se não for dessa maneira descaracteriza o soneto, e então deve ser chamado de poema com 14 versos ou outro nome qualquer. Tenho estudado muito esta forma literária de poesia, inventar ou inovar é válido, porém quando se mistura vinho com água e se acrescenta açúcar, essa nova mistura é chamada de suco, e não mais de vinho e nem de água.
SONETOS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS
Os sonetos classificam-se de acordo com o número de sílabas conforme
abaixo:
Uma sílaba
Monossílabo Duas sílabas Dissílabo Três sílabas Trissílabo Quatro sílabas Tetrassílabo Cinco sílabas Pentassílabo
ou redondilha menor, (com acento
na 2ª e 5ª sílaba) Seis
sílabas Hexassílabos (com acentos na 2ª e 6ª
sílabas) Sete
sílabas Heptassílabos ou
redondilha maior (com acentos na 3ª e
5ª) Oito
sílabas Octossílabos ou
sáficos (com acentos na 4ª e
8ª) Nove
sílabas Eneassílabos ou
jâmbicos (com acentos na 3ª, 6ª e
9ª) Dez
sílabas Decassílabos (acentuação, ver nota
abaixo) Onze
sílabas Hendecassílabos ou
datílicos (com acentos na 2ª, 5ª, 8ª e
11ª) Doze
sílabas Dodecassílabos
(com acentos na 6ª e 12ª - ver nota
abaixo) Mais de
doze Bárbaros (ver nota abaixo)
Notas: 1) As acentuações tônicas colocadas acima são as mais
usadas. Versos heróicos Acentuação tônica na 6ª e 10ª
sílaba Versos sáficos Acentuação tônica na 4ª , 8ª e 10ª
sílaba Martelo agalopado Acentuação
tônica na 3ª , 6ª e 10ª sílaba
(variação do heróico) Gaita galega Acentuação
tônica na 4ª , 7ª e 10ª sílaba
(variação do sáfico) Pantâmero iâmbico Acentuação
tônica na 2ª , 4ª, 6ª , 8ª e 10ª sílaba
5) Os versos podem ser dodecassílabos sem no entanto se tornarem
versos alexandrinos, o
que diferencia um soneto com versos alexandrinos dos versos dodecassílabos, é que o
alexandrino é composto de dois versos de 6 sílabas em cada frase, com a primeira frase
aguda ou grave
sempre.
Cada um desses hexassílabos se chama hemistíquio (metade de
verso).
O soneto adquiriu
importância ao redor do mundo, tornando-se a melhor representação da poesia
lírica. Alguns casos são notáveis: o poeta russo Aleksandr Pushkin que compôs
Eugene Onegin, um poema repleto de sonetos adotado por Tchaikovsky para compor uma de suas óperas; o francês Charles Baudelaire ajudou a divulgar os versos alexandrinos em Les Fleurs du Mal, e
Vivaldi também usou bastante a poesia dos sonetos...
Após uma adesão e tendência mundial ao humanismo, e ao estilo barroco, o poema dos catorze versos acabou sendo desprezado pelos iluministas.No século XIX, ele voltou a ser cultivado, com mais fervor, por românticos, parnasianos e simbolistas, sobreviveu ao verso livre do modernismo que viria em seguida, e permanece até os dias atuais.
Um soneto além de "poesia" deve ter métrica e principalmente ritmo. A
métrica utilizada é a poética, e não a métrica gramatical pura e simples, e o que dá um ritmo constante aos versos é a sílaba tônica,dar ritmo significa "fazer cair" em todas as frases de um soneto,do princípio ao fim a sílaba tônica sempre em um determinado local (no mesmo local em cada frase). Além da métrica e ritmo acho muito importante a rima, há quem diga que as rimas são até dispensáveis, eu, porém considero-as importantíssimas para a musicalidade de um soneto, e minha opinião é que sem ela o soneto perde muito do seu brilho.
2) Em versos até quatro sílabas não é necessário nem obrigatório se usar a acentuação
tônica definida no mesmo local em todas as
frases.
3) Em versos com 5 a 7 sílabas também não é obrigatório o uso do ritmo definido em todas as
frases, porém fica mais rítmico quando se usa.
4) Os decassílabos são os mais usados, e existe entre eles diversas variações de
ritmo,
abaixo os mais utilizados:
6) Na metrificação sempre se conta até a última sílaba tônica de cada
frase.
7) Num mesmo soneto decassílabo podem ser utilizadas frases heróicas e
sáficas sem que o
rítmo seja prejudicado, mas é uma questão de esmero tentar manter o estilo das frases do
princípio ao
fim.
8) O ritmo também é influenciado pela pronúncia das átonas e das
paroxítonas finais de cada
frase, elas não são contadas como métrica, mas existem no ritmo. Isso dá uma diferença
quando se costuma usar a mistura de classificações.
9) O ritmo em um poema, e muito mais no soneto é mais importante que a
métrica. Não é
aconselhável, mas, se não houver outro jeito, às vezes deve-se sacrificar a métrica em
benefício do ritmo.
10) Existem algumas regras que podem ser utilizadas
(próxima página).