Expressões de alma
Uma trilogia ao som de Lizt: Drummond, Machado, Ettiène
Composto por Ettiène Guérios (2004)


1) "O amor é grande mas cabe no breve espaço de beijar"
Carlos Drummond de Andrade

2) "O Beijar no Espaço e no Tempo"
Composição literária de   Adolpho Machado   baseada na frase de Drummond

3) "Triangulando Drumonnd, Machado e Liszt "
Reflexões de Ettiène Guérios sobre a composição literária de A.Machado e a frase de Drummond, ao som de Liszt




1) "O amor é grande mas cabe no breve espaço de beijar"
Carlos Drummond de Andrade

2) "O Beijar no Espaço e no Tempo"
Adolpho J. Machado (2003)


Assim como os abraços
envolvem corpos de amantes,
o beijar exibe os traços
da alma naquele instante!

E, nesses breves segundos
em que a alma se avizinha,
todo o espaço que há no mundo,
ela preenche sozinha!

Amor que surge nos espaços
entre os beijos e os abraços,
não conta o tempo a passar.

Nem quem é poeta descreve
o tempo que a alma teve,
no sublime ato de amar!


3) "Triangulando Drummond, Machado e Liszt "
Ettiène Guérios (2003)


"O amor é grande mas cabe no breve espaço de beijar" , disse Drummond.

Machado leu e conjecturou sobre "O Beijar no Espaço e no Tempo".

Verdadeiro diálogo de alma de Machado com Drummond expresso em palavras que, dançando ao som de Liszt, nos remete a nosso interior.

Lizt com sua música, em seu sonho de amor, ultrapassa a dimensão do tempo e atravessa o cosmo, ou seja, transcende o espaço, transcende o possível imaginário!!!!!!

A aparente simples ação de beijar pode se dar num simples espaço de tempo fisicamente cronometrável que se expande na alma, que, de fato, expande a própria alma, redimensionando o tempo e o espaço, tornando-o incomensurável pela sensação de permanência que provoca na alma.

O beijar exibe os traços da alma no seu instante assim como os abraços envolvem corpos de amantes.

Ah! amantes que se envolvem e se confundem entre corpo e alma, alma e corpo, preenchendo todo o espaço do universo, de todas as galáxias, de todos os possíveis e impossíveis mundos.

Talvez Machado tenha razão ao dizer que o poeta não é capaz de descrever o tempo que a alma tem no sublime ato de amar. Mas, ninguém como o poeta sabe sonhar em poder amar, em tanto querer amar. Talvez só a alma poeta seja capaz de transformar em delírio o desejo de amar e, mesmo em estado de sofrimento por não estar sendo amado, transforme sua dor em palavras, palavras, palavras, palavras e mais palavras que, encadeadas, expressam o sonho, o desejo, a loucura, a dor, a beleza da alma ou a escuridão do abismo. O poeta tem o dom da palavra da alma e do sonho. Tem o dom da palavra do imaginário. Tem o dom da palavra da manifestação do desejo e da dor, da saudade e da presença, do tudo de Drummond e do nada, da alma que se faz viva no tempo e no espaço .

É.

Nem o poeta é capaz de descrever o tempo que a alma teve no sublime ato de amar. Só o poeta é capaz de sonhar com o desejo de amar e tornar sublime seu desejo.
Só a alma poeta é capaz de um amor tão grande que caiba num espaço em que cada breve instante se insere na perenidade do continuum de um tempo que transcende a própria existência e se faz permanente.

Será Liszt transcendendo o espaço e ultrapassando a dimensão do tempo em seu sonho de amor?




Arranjos: Maria José Pimenta Machado

Estruturação: Ettiène Guérios

Música: Franz Liszt - Sonho de amor






Franz Liszt - Sonho de amor