Maroto,
um cão de lida.
Adolpho, meu avô materno, com o auxilio de alguns dos filhos,
administrava sua fazenda, onde os cuidados com a criação de gado bovino e eqüino,
sobressaiam dos demais afazeres.
Havia o hábito de se atrelar um par de bois com uma “canga”, para
que fossem preparados para futura tração do carro de bois, cujo uso era ainda
muito comum, na época.
Uma dessas “juntas”, desapareceu
, certamente fugindo através de alguma falha na cerca de arame farpado que
separava a pastagem de um matagal vizinho.
Dois dos meus tios e o pai selaram três cavalos para saírem à procura
dos fujões.
Maroto, o cachorro de lida, nesses casos nem precisava ser chamado para
acompanhar os cavaleiros. Ele já sabia de sua obrigação como um ajudante.
Creio que seria mais justo que eu designasse como ajudantes, os homens
envolvidos nessas buscas. Saibam, logo a seguir, o motivo dessa inversão!
Os três homens e Maroto permaneceram
embrenhados na capoeira, até o anoitecer, quando meu avô resolveu
deixar a procura para retomá-la no dia seguinte, já que a dificuldade aumentara muito com a escuridão.
Como de costume, o cão chegaria logo após e procuraria o seu alojamento
no quintal do “casão” da fazenda. Isso não
seria mais preocupação para os seus patrões.
Algumas horas mais tarde, quando já estavam todos dormindo, meu avô
chamou os filhos que o haviam acompanhado na busca, dizendo: Vão abrir a
porteira para a junta de bois. Eles estão
de volta.
Como é que o senhor sabe? Perguntou
um dos meus tios.
Ora! O Maroto latiu! Ele poderia simplesmente passar por baixo da
porteira! Claro que com os bois não é a mesma coisa!
Quando lá chegaram viram o cão sentado, de costas para a porteira,
frente a frente com a junta de bois.
Ao abrirem a porteira o cachorro retomou seu lugar atrás dos animais,
fazendo-os retornarem ao pasto da fazenda.
Formatação: Majô
(memória)Adolpho
J. Machado
01/03/2006