ALÔ...PAI???
Adolpho J. Machado
Recolhido na ambulância que segue velozmente pelo trânsito, a caminho de um hospital , ouvindo os ruídos do trânsito e o grito constante da sirene , o velho pensa, aflito, no que lhe poderá acontecer de uma hora para outra!
Será que escapo desta?
Ah... Meu filho distante daqui... Há quanto tempo não ouço sua voz ao telefone? Será que foi no meu aniversario ? Talvez... Às vezes ele se esquece da data e me liga dias depois se desculpando ! Será que foi no Natal ? Bem. O Natal foi depois do meu aniversário e, normalmente eu é que costumo ligar ... Sim. Foi no Natal, há uns quatro meses ! Se meu aniversário caísse na véspera do Natal... Como seria bom !
Chega no hospital e é internado, ficando num quarto, em observação até que seja avaliado o seu estado. Disseram a palavra de sempre : "Estável " Será que serei removido para a UTI ?
Uma enfermeira, depois das providências de praxe, ia deixando o quarto, quando ele resolveu chamá-la , pedindo-lhe que fizesse uma ligação interurbana e com alguma dificuldade, passou-lhe o numero, dizendo ser o de seu filho, com quem não falava ha muito tempo !
Feita a ligação, a enfermeira passou-lhe o fone, dizendo: Alguém me disse que seu filho está com um cliente, em outro aparelho. Aguarde um pouco. Ele sorriu !
Em seguida ela deixou o quarto.
Após alguns minutos, um médico adentrou o quarto e deparou com uma cena que, no mínimo, para ele, era tragicômica ! O paciente, já sem vida, estava com o fone solto sobre o peito . Ouvia-se uma voz dizendo: Alo... Pai...Alo... Alo... Pai?
Diante da cena, o médico pegou o fone e respondeu: Filho : Aqui é um médico. Seu pai não poderá mais falar contigo! Óbito!
Ouviu então, apenas uns soluços vindos do outro lado e o sinal de desligado ...
(Qualquer semelhança...)

Porto Solidão